Quando uma criança apresenta mudanças de comportamento, dificuldades na escola, ansiedade ou outras questões que indicam a necessidade de acompanhamento psicológico, a prioridade deve ser buscar o cuidado adequado. Mas, quando os pais são separados e não conseguem concordar sobre o tratamento, a situação pode se transformar em um novo conflito familiar.

Na guarda compartilhada, os pais exercem conjuntamente responsabilidades relacionadas aos filhos. Questões importantes envolvendo saúde e educação, portanto, não devem ser tratadas como responsabilidade exclusiva de apenas um dos genitores. 

Imagine uma situação comum: a escola recomenda que a criança seja avaliada por um psicólogo. O profissional identifica a necessidade de acompanhamento, mas o outro genitor entende que a terapia é desnecessária e se recusa a concordar.

O que fazer?

O primeiro passo é entender exatamente qual é a divergência. É importante verificar a indicação profissional, a necessidade do tratamento, o que foi estabelecido anteriormente entre os pais e se existe alguma decisão judicial ou acordo que trate das responsabilidades relacionadas à saúde da criança.

Também é importante diferenciar uma discordância pontual de uma situação em que um dos pais passa a impedir, de forma recorrente, decisões necessárias ao cuidado do filho.

O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que os pais têm deveres relacionados ao sustento, guarda, convivência, assistência e educação dos filhos. Além disso, a legislação reconhece o exercício do poder familiar em igualdade de condições, permitindo que divergências sejam levadas à autoridade judicial competente quando necessário.

Isso significa que a recusa de um dos genitores não encerra automaticamente a questão. Dependendo das circunstâncias, pode ser necessário buscar uma solução jurídica para que a necessidade da criança seja analisada e a decisão adequada seja tomada.

Mas nem todo desacordo precisa começar com uma disputa judicial.

Em muitos casos, uma orientação jurídica adequada ajuda os pais a compreenderem seus direitos, responsabilidades e os caminhos disponíveis para resolver a divergência de maneira mais organizada.

O mais importante é não deixar que o conflito entre os adultos faça a criança ficar sem o cuidado de que precisa. Se o tratamento foi indicado e você não consegue chegar a um consenso com o outro genitor, procure orientação antes de tomar uma decisão por conta própria.

Cada família possui uma realidade diferente, e a solução adequada depende da análise dos documentos, dos acordos existentes e das necessidades específicas da criança.

Se você está passando por essa situação, entre em contato e eu vou orientar você sobre os caminhos possíveis para o seu caso.